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Sala de Imprensa

Bem para lá do fim do mundo

Data: 16/01/2010
Fonte: O Globo

Nova Zelândia e Austrália viram o destino preferido de brasileiros para o intercâmbio de estudantes.

A ansiedade de Laura Turton é grande, e não para de aumentar.

— Na verdade, estou mesmo é nervosa.

Não é para menos. Aos 16 anos, essa carioca tímida e de gestos suaves, habituada às comodidades que os pais sempre lhe proporcionaram, está prestes a se lançar numa longa e, até certo ponto, solitária aventura: em breve, embarca para o fim do mundo. Na verdade não é bem assim. Os amigos é que acham isso.

Trata-se, obviamente, de um exagero. Mas muita gente que nem conhece Laura reage dessa maneira quando ouve dizer que alguém está indo, como ela, para a Nova Zelândia — um país tão longínquo que, à primeira vista, parece estar fora do mapa.

— Os amigos me falam: “Não vá de jeito nenhum”. Dizem que aqui é bem melhor do que lá. Inventam mil coisas pra eu ficar — contou Laura, aluna do Colégio Teresiano, na Gávea.

Ela embarca nos próximos dias para uma temporada de seis meses no Onslow College, em Wellington, a capital neozelandesa.

Vai engrossar o contingente de jovens brasileiros que cada vez mais têm optado por essa nova rota do intercâmbio estudantil.

No princípio, muito tempo atrás, foi Paris, seguida das suíças Genebra e Lausanne. Londres, então, entrou no circuito.

Depois, Nova York, Boston e até mesmo várias pequenas cidades americanas se tornaram chamarizes.

A vez agora é da Nova Zelândia e da Austrália, países que se tornaram os novos destinos temporários de estudantes brasileiros do ensino médio.

Eles já atraem 30% dos jovens que decidem passar uma temporada no exterior. A maioria passa seis meses fora. Alguns ficam um ano. Uns poucos preferem dois anos.

As praias pesam na escolha

Motivos para optar por aqueles destinos há vários. Os preços, mais em conta que os de EUA e Europa, certamente são atraentes. Mas há algo mais: o clima é muito parecido com o do Brasil e, além disso, o calor humano facilita a adaptação.

Um quesito que também atrai a moçada, em especial os estudantes cariocas, é o fato de Nova Zelândia e Austrália terem belas praias e muitos dias ensolarados.

Felipe Quintino, gerente regional do Student Travel Bureau (STB), agência especializada nesse tipo de intercambio, e a que mais tem levado jovens para aqueles dois países, destaca: — Esses são, sobretudo, destinos amistosos. Brasileiros se dão muito bem lá.

Laura, que ainda está indecisa entre ser advogada ou especialista em moda, mencionou um outro fator que tem empurrado os brasileiros para aquelas lonjuras: propaganda boca a boca.

— Uma prima minha foi estudar em Wellington e amou.

Bernardo Craveiro Bezerra, 16 anos, aluno do Santo Agostinho, no Leblon, voltou de Gold Coast, no sudeste da Austrália, em julho passado. E já definiu uma meta: quer ser engenheiro químico.

Além de ter se encantado com as fotos de paisagens da região, ele acabou indo para lá devido a um apelo muito próximo, familiar: seis anos atrás sua irmã, Barbara, fôra estudar ali. E voltou maravilhada.

— Como no caso da Austrália (e também da Nova Zelândia) a gente pode escolher a cidade onde quer morar, e eu acabei indo passar seis meses com a mesma família que tinha hospedado a minha irmã — contou Bernardo.

Diferentemente do caso de Bernardo, a grande maioria dos jovens viaja apreensiva em relação ao que vai encontrar.

Para alguns a viagem também representa um dilema: — Muitos encaram o intercambio como uma oportunidade.

Outros vêem isso como o fim do mundo, porque acham que vão perder muita coisa aqui — contou Quintino.

Assim como todos os que embarcam nessa aventura, Joaquim Couto, 17 anos, que acaba de voltar de Melbourne, na Austrália, confessou que não teve como fugir à melancolia que envolve os jovens ao chegarem sozinhos ao seu novo mundo.

Todos sentem de imediato, e na própria carne, o significado de uma palavra inglesa que aprenderam: homesickness (saudades de casa).

— Senti isso logo nos primeiros dias da viagem. É o “famoso” período de adaptação, e isso se refletiu na escola — disse ele.

E é justamente aí que entra em cena, na prática, uma das recomendações feitas pela equipe da STB aos estudantes e seus pais, nas palestras de orientação pré-embarque: evitar contatos excessivos via e-mail e, em especial, via telefone. É preciso haver certo desprendimento.

O humorista Hélio de la Peña, pai de Joaquim, disse ter procurado dosar os contatos: — Eu ligava uma vez por semana, às vezes a cada 15 dias.

Senti que ele estava curtindo para caramba a experiência da liberdade na nova vida, sem ter o pai por perto para ficar perturbando — disse Hélio.

Para Joaquim, que planeja uma carreira em publicidade, essa nova vida significou também um aprendizado prático doméstico. Como acontece com todos os que vão estudar em países com economia avançada: a constatação de que raras famílias têm empregada doméstica. E assim como os filhos da casa onde passaram a residir, eles também devem assumir afazeres mundanos:

— Aprendi a ser mais responsável em todos os aspectos, e aprendi a me virar melhor.
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