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Jovens contam como é acompanhar os pais no exterior

Data: 03/05/2012
Fonte: Correio Braziliense Online

Não são poucos os jovens que têm de mudar de país por causa da profissão dos pais. Conheça alguns deles

Hoje em dia, muitos jovens buscam oportunidades de morar fora do Brasil para aprender uma nova língua, mas tem gente que muda de país por causa da profissão dos pais e acaba fazendo intercâmbios obrigatórios. O choque com costumes diferentes e as dificuldades com outros idiomas são compensados por experiências de vida e aprendizados únicos.

O estudante de biotecnologia, Ricardo Giuliani, 20 anos, foi morar em Santiago, no Chile, em 2006 por causa do trabalho internacional do pai no Banco do Brasil. Além de ter de aprender espanhol, encontrou um sistema educacional bem diferente: “Lá o ensino médio é de quatro anos e as matérias são diferentes. Eu estava entrando no ensino médio e fiquei lá até o meio do 2º ano”, diz. Quando voltou para Brasília, teve dificuldades em várias matérias, como física, matemática e português, mas adquiriu fluência na língua espanhola.

“Foi uma experiência muito boa, até hoje me lembro sempre do que vivi lá. Fiz muitos amigos na escola, mas hoje não temos muito contato.” Ricardo acha que vivenciar uma cultura diferente também foi enriquecedor: “Tive de me acostumar com os chilenos que não são tão hospitaleiros e abertos como os brasileiros, eles são mais rígidos. A comida também não era muito boa, comia mais em fast foods. Foi excelente, mas prefiro o Brasil”.

Já Kaynnar Costa, 22 anos, nasceu em Buenos Aires. O pai dela é assistente de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores e, na époda, trabalhava na embaixada do Brasil na Argetina. Kaynnar tem dupla nacionalidade e morou na Argentina até os cinco anos. Depois disso, viveu quatro anos no Equador, cinco no Paraguai e está na Irlanda há três. “Vim para Dublin para acompanhar a missão do meu pai, aprendi a falar inglês e comecei meus estudos numa das melhores universidades do mundo, agradeço muito a minha família por essa oportunidade”, conta a estudante de economia da University College Dublin.

Desde os 10 anos de idade Kaynnar fez aulas de dança e teatro nos diversos colégios em que estudou. Em Dublin, ela ficou famosa na universidade por causa de uma peça de teatro, La Revancha de Romeo y Julieta. O roteiro é do argentino Gastón Quiroga e é uma nova versão do clássico Romeu e Julieta, de Shakespeare, em que os dois amantes voltam reencarnados como Giuliana e Roberto. Kaynnar interpreta a protagonista Giuliana, além de ser a diretora do espetáculo da Spanish Society, formada por alunos da universidade de Dublin, que organiza peças no idioma espanhol com um elenco multicultural vindo de oito países. Kaynnar admite que seu português “está um pouquinho enferrujado”, mas ela estará de volta a Brasília em junho: “Farei a transferência obrigatória da minha faculdade atual para a Universidade de Brasília e assim poderei finalizar o curso de Economia no Brasil”.

Soleil Ngombo Paulina Daniel, 22 anos, estuda jornalismo na Universidade de Brasília, mas veio de longe. Ela nasceu em Moscou, na Rússia, e, dois meses depois, se mudou para Luanda, capital da Angola, onde viveu até os 11 anos. As mudanças são fruto do trabalho do pai, major na chancelaria do Ministério da Defesa da Angola. Nunca sofreu dificuldades com a língua, pois só viveu em países falantes de português, porém, as dificuldades apareceram na socialização e no aprendizado.

Na escola angolana, Paulina estudava quatro matérias - geografia, história, matemática e ciências - e se deparou com três matérias desconhecidas - inglês, filosofia e literatura - quando foi morar em Lisboa, em Portugal. “Passei muita dificuldade, pensei que ia reprovar mesmo”, diz. Apesar de os dois países falarem português, o choque cultural foi muito grande e ela não se adaptou bem. “No início não gostava de lá, demorei a fazer amigos. E quando finalmente me acostumei, tive que mudar.”

Dessa vez, a mudança foi para o Brasil, três anos depois. Paulina cursou o ensino médio no Colégio Militar de Brasília onde ela fez muitos amigos: “No Brasil o pessoal é mais simpático, todo mundo gostava de mim e dos meus irmãos angolanos na escola”. Quatro anos depois de se mudar para o Brasil, os pais dela se separaram e a mãe voltou para Angola, onde Paulina e os cinco irmãos nunca mais pisaram. Em Brasília, Paulina ganhou dois irmãos brasileiros e um visto permanente. Apesar de sentir falta dos parentes angolanos, por enquanto ela não quer sair do Brasil: “Gosto muito daqui. Meu pai vai para a França no ano que vem, mas eu vou continuar aqui para terminar a faculdade”.

Pedro Diego de Paola, 25 anos, é outro que vivenciou vários intercâmbios obrigatórios. O pai dele é oficial de chancelaria e trabalhou nas embaixadas do Brasil em diversos países. Com apenas um ano e meio de idade, Pedro se mudou com a família para Moscou, na antiga União Soviética, durante a Guerra Fria, onde ficou até os cinco anos de idade e aprendeu a falar russo. De 1992 a 1997, Pedro morou em Camberra, na Austrália, e não teve dificuldade para aprender a falar inglês. “Eu estudava numa escola pública de ótima qualidade e fiz amizades inesquecíveis, pessoas com quem falo até hoje”, conta. As amizades foram o ponto mais marcante da vida de Pedro na Austrália e abandonar os amigos não foi fácil.

Aos 11 anos, ele sofreu para se adaptar ao novo local em que foi morar: Zimbábue. “É errado, mas eu tinha preconceito com a África. Era besteira. Lá não havia discriminação entre brancos e negros e também fiz amigos”, afirma. Pedro relata que a escola pública em que estudava era muito qualificada, mas extremamente rígida, e ele chegou a levar castigo físico do professor, que bateu com um apagador de quadro na mão dele. Em Zimbábue, Pedro falava inglês e começou a aprender o dialeto local, shona. A família deixou Zimbábue em 2000, quando o país entrou numa grave crise interna.

Só então Pedro veio morar no Brasil, país que havia visitado algumas vezes durante as férias. Em sua terra de origem, teve dificuldades com o português na escola: ‘’até hoje não sou bom em acentuação”, revela. A adaptação, porém, não foi problema. “Acabei virando uma pessoa sem raízes, me adapto a qualquer lugar.” Pedro afirma que todas as experiências foram boas e considera uma sorte a chance que teve: “Fui obrigado a pular de país em país com minha família, mas, na verdade, fui agraciado. Fiz amizades que nunca faria, conheci tanta coisa, tive uma experiência que só foi possível graças a profissão do meu pai”.

Pedro considera que conhecer um novo país é o melhor investimento que existe. Gosta tanto de viajar que se formou em Turismo no Iesb e é consultor de vendas na STB (Student Travel Bureau), uma agência de intercâmbio. Apesar de trazerem peso ao currículo de Pedro, em alguns casos as experiências internacionais já soaram como “coisa de gente esnobe” para alguns contratantes. “Só menciono onde morei no currículo se for para a área de turismo”.

Viajar virou quase um vício para o jovem. A última viagem que fez foi em 2009. Passou seis meses na Flórida (Estados Unidos) onde trabalhou como assistente de limpeza da Disney e fez um curso técnico de gerenciamento de hospitalidade. A próxima viagem não vai demorar, Pedro vai, ainda este ano, para os Estados Unidos a trabalho, para visitar Filadélfia, Nova York e Boston.

Os pais de Dayana Hashim, 20 anos, se conheceram em Brasília no fim dos anos 1980, mas a mãe veio de Santa Catarina e o pai da Malásia - ele trabalhava na embaixada desse país. Depois de casados, se mudaram para Kuala Lumpur, a capital da Malásia, onde Dayana nasceu e cresceu. Em casa, a família só falava inglês, a língua comum do casal. Na rua e na escola, Dayana aprendeu a falar malaio.

Só que, em 2003, Dayana - na época com 11 anos - e os irmãos tiveram de se mudar para o Brasil com a mãe que, apesar de brasileira, não ensinou português aos filhos. “Minha mãe tentou me ensinar, mas por não ter necessidade, eu não tinha interesse”, diz. Em terras brasileiras, a menina foi morar junto com tias e primos. A vontade de conversar com pessoas da família dela foi um impulso a mais para aprender o português. As marcas de aprender o português tardiamente são claras: "As pessoas sempre perguntam se sou de fora".

As diferenças entre as duas culturas são enormes: “A Malásia é um país asiático e muçulmano, as pessoas são mais fechadas, a educação é mais rígida e há menos liberdade. Mulheres usando top e short é algo impensável por lá. No Brasil, todo mundo é mais aberto.”

Um choque para Dayana foi o ato de tocar em outras pessoas: “Aqui todo mundo se abraça, as pessoas encostam uma nas outras. Demorei muito para conseguir abraçar minhas amigas”. A jovem compara os dois países com tipos de maternidade: “Minha mãe biológica é a Malásia, minha mãe adotiva é o Brasil. Tenho um carinho pelas duas, mas não posso negar minhas raízes, não tenho um comportamento todo brasileiro”.

A experiência, em parte chocante, foi positiva: “Por ter vivenciado duas culturas, tenho uma mente mais aberta do que se tivesse vivido em um país só”. No âmbito profissional, Dayana teve vantagens por falar inglês nativo, aos 16 anos foi contratada para ser professora da língua.

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