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Cada vez mais jovens deixam universidades brasileiras para estudar em instituições americanas

  • Data: 21/05/2012 Fonte: Correio Braziliense Online

  • Em busca de uma educação de qualidade, brasileiros fazem curso superior e pós-graduação nos EUA

    Das cem melhores universidades do mundo, 44 estão nos Estados Unidos (EUA). Esse é o resultado da pesquisa do Times Higher Education, divulgada em março. A qualificação das instituições americanas atrai estrangeiros e, de acordo com o relatório anual Open Doors 2011, dos 270 mil estudantes internacionais no país, quase 9 mil são brasileiros que cursam graduação ou pós-graduação. A maioria deles (63%) tiram dinheiro do próprio bolso para fazerem os cursos. Mesmo tendo que arcar com um alto custo de vida, muitos jovens abrem mão de vagas em universidades públicas brasileiras para estudar nos EUA.

    Os pais de Gabriela Bezerra estão usando as economias de uma vida toda para que ela faça faculdade fora. Gabriela tem 21 anos e desistiu do curso na Universidade de Brasília (UnB) para estudar nos Estados Unidos. “Sempre quis estudar lá, era um sonho. Assistia a filmes americanos sobre faculdades e tinha vontade de ir para lá aprender. Decidi ir atrás disso quando meu curso no Brasil não estava me satisfazendo”, conta. Ela fez seis semestres de audiovisual e hoje cursa o sexto semestre de relações internacionais na Universidade Colgate, em Hamilton, uma vila no interior do estado de Nova Iorque.

    Gabriela passou pelo mesmo processo que qualquer aluno americano de ensino médio: fez o SAT (Scholastic Aptitude Test) - prova de inglês e matemática -, colheu recomendações de professores, respondeu a questionários e escreveu redações. A estudante tem certeza do valor de estudar fora na vida profissional: “Não há apenas o fator acadêmico, mas também a experiência de viver em outra cultura, rodeada pelo desconhecido e falando outra língua - fatores que ajudam no amadurecimento. Empresas notam tudo isso quando veem no currículo de um estudante que ele cursou algo no exterior”.

    Pós-graduação
    Apesar de a busca por cursos de graduação nos Estados Unidos estar crescendo, atualmente as pós-graduações são as mais procuradas. A agência Student Travel Bureau (STB), líder nacional no segmento de intercâmbio no Brasil, registrou aumento de 60% na demanda por cursos de pós-graduação e extensão em universidades americanas de 2010 para cá. Paralelamente, a procura por graduação cresceu 40% no mesmo período.

    A gerente da STB em Brasília, Andreia da Cunha, afirma que os Estados Unidos são o país mais procurado pelos clientes na hora de viajar, tanto por lazer quanto por objetivos profissionais. Para a gerente, os motivos dessa escolha de destino são a familiaridade e a idealização da cultura americana, e a acessibilidade de preços de passagens aéreas e de mensalidades.

    “Um profissional não é mais qualificado só por estudar nos EUA, mas o currículo de alguém que saiu da zona de conforto para estudar é interessante. Seja numa universidade top, seja numa nem tão conceituada, a experiência internacional traz crescimento e fluência no inglês”, explica. Apesar disso, Andreia destaca que outros aspectos, como estágios, dedicação e competência, também são importantes na hora de escolher um candidato para a vaga de trabalho.

    Investimento
    “As mensalidades nos Estados Unidos não são absurdas, equivalem aos preços de boas instituições particulares no Brasil”, relata a gerente da STB. Apesar disso, morar fora, mesmo que por pouco tempo, pode pesar no bolso. Bruno Santos,22 anos, gastou mais de R$ 13 mil com alimentação e moradia em apenas dois meses em Nova Iorque. Depois de se formar em publicidade no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), ele fez um workshop de produção de filmes na New York Film Academy, uma das mais conceituadas escolas de cinema do mundo. “O que sai caro mesmo é o custo de vida e não o curso em si”, conta.

    O estudante Tiago Vaz, 23 anos, vai pagar pouco mais que R$ 8 mil por uma especialização de nove meses nos Estados Unidos, que começa em junho. Ele vai fazer pós-graduação em marketing com foco em mídias sociais na Universidade da Califórnia em Los Angeles. “Quero ter a experiência de morar fora e o prestígio de estudar numa universidade americana que é a 13ª melhor do mundo”, explica o jovem.

    Qualidade no Brasil
    Apesar de os EUA serem o destino mais procurado para cursos no exterior e ter faculdades de renome internacional, não se pode dizer que as instituições americanas são mais qualificadas que as brasileiras em todos os campos e nem que uma pessoa é mais qualificada só porque estudou lá. “Existem áreas, como tecnologia e engenharia aeroespacial, em que os EUA estão na frente em relação ao Brasil. Não digo o mesmo dos cursos das áreas de humanas. E, claro, há universidades boas e ruins tanto aqui quanto lá”,afirma o coordenador de intercâmbio na UnB, Leonardo de Souza.

    Leonardo destaca que o fato de as universidades americanas serem particulares traz algumas vantagens. Boa parte delas são financiadas por empresas. Portanto, existem pesquisas e cursos muito específicos na área de interesse de algum investidor, diferente do modelo com áreas mais abrangentes presente no Brasil. “As áreas e cursos específicos atraem muita gente que não tem a opção de estudar esses assuntos por aqui.”

    De acordo com Leonardo, no Brasil, as universidades particulares são vistas como segunda opção, servem para quem não conseguiu vaga numa pública. Nos EUA acontece o oposto, as universidades que têm auxílio do governo são mal vistas e são opção para quem não pode pagar ou não conseguiu ser selecionado para estudar numa faculdade privada.

    “Existe uma concorrência muito grande entre as faculdades americanas. Essa concorrência tem razões economicas, mas é positiva para o ensino”, diz Leonardo. Ele explica que cada instituição quer superar as outras em aspectos como pesquisa, tecnologia, esportes e professores qualificados para atrair alunos e investidores. Desse modo, o investimento em educação é muito alto. Segundo ele, isso não acontece nas universidades públicas no Brasil: “Tendo qualidade ou não, o investimento do Governo Federal nas universidades públicas está garantido. Não há incentivo ou razão econômica para que tentem progredir sempre".